Saúde

Vitiligo está muito ligado a questões emocionais

Dizem que a última rainha da França não conseguiu esconder o desespero no fim da vida. Maria Antonieta acordou com manchas brancas espalhadas pelo corpo no dia em que seria guilhotinada em praça pública. Era vitiligo. Ainda são desconhecidas as causas da doença que afeta a pigmentação da pele, mas sabe-se que há um importante componente psicológico. “É evidente a influência do emocional. A maioria dos pacientes são estressados e ansiosos, alguns sofreram traumas. Impressiona ver que as manchas podem aparecer da noite para o dia”, comenta o dermatologista de Brasília Roberto Doglia Azambuja, que lida com o vitiligo há 37 anos. Recentemente, pesquisadores brasileiros descobriram um dos genes que está associado ao surgimentos das manchas.

O vitiligo é uma doença autoimune que promove a destruição pelo próprio organismo dos melanócitos, células responsáveis pela produção do pigmento melanina. O processo pode ser bem repentino, assim como ocorreu com Maria Antonieta. “O choque emocional pode estar ligado ao vitiligo, mas não é a sua causa. O estresse desencadeia a doença em pessoas com predisposição genética”, esclarece o dermatologista Caio de Castro, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e chefe do ambulatório de vitiligo da Santa Casa de Curitiba. Ele é o coordenador da pesquisa que apontou o gene DDR1 como um dos ligados à adesão dos melanócitos à pele. Castro acredita que a descoberta vai contribuir para o desenvolvimento de remédios voltados para a doença que ele considera ser órfã, já que ainda não existe um tratamento elaborado especificamente para ela.

 

As manchas podem aparecer em qualquer lugar do corpo, mas Castro informa que elas são mais comuns em áreas de atrito. Por isso, o vitiligo se manifesta com mais frequência nas mãos e no rosto. Os pelos podem ficar brancos e é comum no início da doença a queixa de coceira. A sensibilidade na pele permanece inalterada. “Algumas pessoas podem ter diminuição de audição e inflamação nos olhos quando a doença ataca os melanócitos dos ouvidos e dos olhos, o que é raríssimo. O vitiligo doi mais na alma”, diz o dermatologista paranense.

O medo dos pacientes é de que as manchas se espalhem. Não há como garantir o resultado, mas de qualquer maneira é importante iniciar o tratamento o mais rápido possível. O ideal é procurar acompanhamento médico com menos de cinco anos porque ainda há melanócitos vivos. A meta é estimular as células produtoras de melanina do entorno (tanto as que estão na pele quanto as que pigmentam os pelos) a migrar para a mancha. Logo, as áreas com pelo respondem melhor ao tratamento. Pelo mesmo motivo, quem tem tendência a desenvolver a doença não deve fazer depilação a laser. Os pelos podem ser úteis caso um dia seja necessário estimular a pigmentação da pele.

FOTOTERAPIA
Além de usar medicamentos tópicos e orais, os pacientes podem ser submetidos ao tratamento fototerápico com radiação ultravioleta. A cabine é indicada para casos em que mais de 30% do corpo está tomado pela doença. Já com laser ou lâmpada os raios são direcionados para cada mancha separadamente. Apesar de a fototerapia apresentar bons resultados, o pesquisador da PUC-PR Caio de Castro destaca o inconveniente de haver um limite de exposição, já que a técnica pode aumentar o risco de câncer. Para os raios UVA, são 200 sessões, enquanto o máximo para a radiação UVB ainda não está estabelecido.

O dermatologista também lamenta que o tratamento esteja disponível apenas nos grandes centros, o que dificulta a vida de pacientes do interior, que precisam faltar ao trabalho e gastar dinheiro com o deslocamento para ir ao médico. O médico defende que o ideal seria um remédio para tomar em casa. A boa notícia é que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizou há pouco tempo o tratamento para vitiligo, que não é barato. Trinta sessões de fototerapia podem custar de R$ 1 mil a R$ 2 mil.

“O arsenal de tratamento é muito pequeno, por isso precisamos de mais pesquisa. Há um laboratório no Brasil desenvolvendo novos medicamentos, mas nada tão animador”, revela o dermatologista, adiantando que o próximo medicamento para vitiligo, uma injeção que estimula a pigmentação, pensada originalmente para porfiria (outra doença de pele), é uma invenção de pesquisadores australianos e deve chegar ao Brasil em três anos. Nos Estados Unidos, está em teste um análogo de hormônio que poderá ser usado para aumentar a produção de melanina.

 

Fonte: http://sites.uai.com.br

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